Da Redação

Brasília – A aquisição de 100% da Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport) pela DP World, de Dubai, deverá contribuir para o aumento das cargas com destino não apenas aos Emirados Árabes Unidos mas também aos demais países do Golfo Pérsico  (além dos Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque e Irã) e o terminal, que viveu um processo de mudança de marca, transformando-se em DP World Santos, se tornará uma referência para os países árabes em termos de importação e exportação para o Brasil.

A avaliação foi feita por Bruno Bassi, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Dubai Exports Development Corporation para o mercado brasileiro, ao comentar o anúncio, nesta segunda-feira (4) da conclusão da operação através da qual a DP World adquiriu a parte adicional de 66,67% da Embraport, que pertencia à Odebrecht Transport (OTP), passando a controlar 100% das ações da companhia.

Na opinião do executivo, com o surgimento da DP World Santos devem ser geradas novas oportunidades comerciais entre os Emirados Árabes e o Brasil e também entre o Brasil e os demais países do Golfo Pérsico.

A transação já foi aprovada pelo Conselho de Administração da Odebrecht TransPort e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os recursos serão utilizados para reforçar a estrutura de capital da empresa. Os valores da transação foram mantidos em sigilo pela Embraport e pela DP World.

A Embraport é um dos maiores terminais portuários privados multimodais do Brasil, e opera no Porto de Santos, que é o porto de contêineres mais movimentado da América Latina, responsável pela movimentação de 3.4 milhões de TEUs em 2016, e com acesso estratégico pelo mar, estradas e ferrovia, destina 90% das cargas para São Paulo, a cidade mais populosa e centro econômico e financeiro do Brasil.

Comércio bilateral

Após registrar fortes quedas em 2016 (-10,73%) e 2015 (-12,05%) as exportações brasileiras para os Emirados Árabes registraram uma alta de +19,72% de janeiro a outubro de 2017 e somaram  US$ 2,109 bilhões, correspondentes a 1,15% das vendas totais brasileiras ao exterior.

Enquanto isso, as exportações dos Emirados Árabes seguem forte tendência de queda iniciada em 2014 (-17,85%), 2015 (-7,93%), 2016 (-20,68%) e desabaram -60,04% nos dez primeiros meses de 2017, quando tototalizaram US$ 124 milhões. Com isso, em 2017 a balança comercial entre os dois países gerou para o Brasil um superávit de US$ 1,986 bilhão.

Os principais itens da pauta exportadora para os Emirados Árabes no período foram açúcares de cana (US$ 424 milhões), outros açúcares de cana, beterraba e sacarose (US$ 323 milhões), miudezas de frangos (US$ 248 milhões), carne de frango (US$ 182 milhões) e alumina calcinada (US$ 107 milhões).

Do lado dos Emirados Árabes, os produtos mais exportados para o Brasil foram ureia (US$ 71 milhões), enxofre a granel (US$ 20 milhões), estireno (US$ 6 milhões) e outros polietilenos s/carga (US$ 3 milhões).