Na contramão do que pediram entidades ambientais e universidades, as principais organizações do setor produtivo do Paraná querem a retomada imediata da licitação para fazer a obra da Faixa de Infraestrutura, em Pontal do Paraná. O G7 – que reúne Fiep, Faep, Ocepar/Fecoopar, Fetranspar, Fecomércio, ACP e Faciap – entregou um documento à governadora Cida Borghetti (PP), datado de 23 de julho.

Depois de ser marcada três vezes, a licitação foi suspensa pelo governo estadual, por prazo indeterminado, alegando que as empresas interessadas em realizar a obra apresentaram muitas dúvidas técnicas. A Faixa de Infraestrutura é um conjunto de obras – num primeiro momento uma rodovia e um canal de drenagem, na extensão de 20 quilômetros, paralelos à PR-412, ao custo estimado de R$ 270 milhões.

“A Faixa de Infraestrutura irá criar nova rota de desenvolvimento para o Litoral do Estado, proporcionando novas oportunidades de emprego e renda, como a melhoria da acessibilidade e organização territorial, impedindo a expansão da ocupação desordenada, formando uma nova bacia logística para o comércio internacional do Paraná”, argumenta o texto entregue, que foi assinado pelos presidentes das sete entidades. O documento também elogia o início das obras no Cais Oeste, do Porto de Paranaguá.

O projeto é cercado de polêmica. A autorização para a obra, dada pelo Conselho de Desenvolvimento do Litoral (Colit), em uma controversa reunião realizada em novembro, foi suspensa por uma liminar conseguida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Contudo, o governo estadual entendeu que a decisão judicial não impedia a continuidade do processo licitatório, posteriormente interrompido por problemas técnicos.

José Roberto Ricken, presidente da Fecoopar, que exerce a presidência rotativa do G7, explica que a decisão de manifestar o apoio à retomada da licitação foi tomada, por unanimidade, na última reunião de conselho da entidade. “Não vamos ter progresso sem infraestrutura adequada”, sentenciou. Ele preferiu não comentar o documento enviado à governadora por quatro das principais universidades do estado, pedindo que um levantamento criterioso seja feito, para analisar os impactos econômicos, sociais e ambientais da obra. “Não queremos que se faça nada errado”, disse – e emendou que desejam que a Faixa de Infraestrutura seja construída o mais rápido possível.

De acordo com a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Seil), ainda não há previsão de retomada da licitação da Faixa de Infraestrutura.

Fonte: Gazeta do Povo